Não consigo me ver sem a escrita. Mais ainda, não consigo me ver sem a única fonte sublime que tenho, para me fazer representar como cabeça pensante. Sou viciado em letras, em expressão de sentimentos e em transpirar ódio ou inquietações em um texto.
Não vivo sem, irei chiar e com isso irei berrar a plenos pulmões: Devolvam a minha eterna possibilidade de continuar escrevendo não só o que penso, mas sim, me devolvam a minha possibilidade de continuar com a minha consciência.
Consciência esta, que seria dramaticamente afetada e nunca mais seria a mesma se lhe fosse extirpado o direito de se fazer representar.
Iria ficar doente, passiva. De um jeito que ela nunca estaria preparada para receber um golpe tão baixo. Indo de encontro a sua própria existência como entidade reguladora de ações e emoções.
Sem minhas palavras escritas não serei mais João, e acho que nunca mais voltaria a ser “O” João que conheço.Iria começar buscando novas alternativas de como me fazer representar.
Já que a possibilidade de perder a escrita fosse concreta, iria escrever mais ainda, escreveria vários livros contando minhas histórias antes desta privação.
E com meus livros, contaria a todos o que não se deve fazer, quando a paixão é severamente atingida. Com um discursso ácido iria lutar para que aquele direito fosse a mim prontamente restabelecido.
Que as mãos voltassem a escrever como nunca, que as cabeças pensantes fervilhassem de idéias e que os corações pulsassem como uma paixão arrebatadora. Nunca esquecendo da entidade mor: A consciência.
Em nosso país aconteceu fato semelhante a este. Na Ditadura Militar vários órgãos de imprensa perderam a sua autonomia em face a covardia da época.
Varias consciências perderam suas vozes, e como por conseqüência perderam também a sua independência textual. Este cenário de horror durou por décadas, manchando a justiça de informação social.
Não me tirem meus lápis, minhas canetas, meu papel ou meu computador. Não sei se viveria feliz comigo mesmo sem esta capacidade que Deus me deu de me fazer representar escrevendo.
Iria chorar por dentro, pedir por favor, me humilhar, só para que não me fosse vedado um direito que é meu. Meu entendeu ?? De com meus textos exorcizar meus fantasmas e continuar a busca por algo que não sei se existe mas, irei encontrar.
Quero com minha escrita viver e com ela me fazer representar. Não quero chorar e nem ser um mais novo frustrado, pois só com a minha consciência sã, com minhas idéias e praticando a minha escrita, serei sempre João Adonias Aguiar Neto.





