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Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

A música de Chico e Hime começa com um interlúdio de como a mensagem será entregue ao destinatário. O ato de mandar notícias nessa fita faz com que a mensagem seja entregue em forma de música, que na época era a forma mais comum de se fazer ouvir naqueles tempos.

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Nessa estrofe, Chico e Hime nos ambientam em forma de mensagem subliminar como está o cenário diário do Rio. Mas atentem para um fato significativo, ele só fala das coisas aprazíveis da rotina do carioca. Preparando ao sujeito interpretante que vai ouvir a canção para os relatos que se sucedem.

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Essa é a frase chave para destacar do todo da canção o porque dela. As significações que são descritas abaixo partem da premissa de que nada no momento está como deveria. Alertando e prendendo o ouvinte da canção, de que maneira ele irá demonstrar como a coisa está “preta”.

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

A letra da música dá uma guinada total. O que era antes ambientação, agora é desnudada em frente aos que logicamente conseguiam perceber o que era por exemplo, a tal mutreta (o Golpe Militar). “Levando de teimoso e de pirraça” nesse momento da letra, o levar de teimoso é o que as pessoas sofriam quando contrariavam os interesses dos militares. “E a gente vai tomando e também sem a cachaça” o tomar sem a cachaça é um dos fatos chave daquele tempo pois a porrada comia solta indiscriminadamente e a pessoa que sofria as agressões não tinha nenhuma válvula de escape, o escapismo se fazia representar pela cachaça. Um suavizante da situação.

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Novamente o discurso do esconde-revela leva a pessoa que escuta a canção continua preso a narrativa da letra. E ansioso para saber quais eram as tais das novidades.

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Repetição do 1º segmento da letra

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

As frases dessa estrofe da canção levavam consigo uma associação bem interessante, e na proposta da música de protesto, ela se torna bem sagaz. Pirueta e Ganha Pão fazem parte da primeira associação. A pirueta era toda a engenhosidade que norteava as ações dos socialistas para se fazerem ouvir. E o cavar o ganha pão era o fomento que desta ação advinha a rotina da perseguição dos militares. Fumando e Sem um Cigarro fazem parte da segunda associação desta estrofe. Porque o antagonismo à Ditadura era feito muitas vezes de forma precária e amadora. Em face a todo o potencial de logística e bélico dos militares.

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Repetição da anterior

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Esta é a estrofe que a música fala do sentimento de revolta dos que eram reprimidos. E a sutileza de Chico e Hime se revela quando eles citam que a gente vai se amando, mostrando a unidade da revolução e o sem carinho, seria a falta dos entes queridos, que na maioria das vezes não fazia parte dos cenários de confronto.

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

A estrofe destaca a importância do se fazer ouvir nesta delicada época de falta de direitos de expressão. “O correio andou arisco” foi a forma dos autores, destacar além da dificuldade de fazer com que a mensagem chegasse, como também as interferências diretas dos censores. E o disco foi o objeto que foi incumbido de passar a mensagem.

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Repetição das anteriores

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

Na “despedida” da carta, os compositores destacam o receio de não poder mais estar vivos em um amanhã cheio de incertezas. Para muitos revolucionários daquele tempo o fato de se tornarem mártires da revolução, era o nirvana. Para outros, principalmente os que eram chefes de família, o medo era companhia presente.

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

A estrofe acima mostra a agonia e o temor que a população da época sentia quando a polícia se fazia valer do discurso da legalidade de ações, esta mesma legalidade que fazia com que as autoridades perseguissem e matassem a quem de vontade. Chico Buarque pelo intermédio da subliminaridade alerta as pessoas para a perseguição. “Era a dura”, com esta expressão ele associa a Ditadura todas às mazelas políticas. Constituindo um processo semântico neste contexto. Fazendo assim uma ponte entre o discurso e a realidade.

Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão

“São os homens” essa expressão é clássica para designar quem seriam as pessoas incumbidas da perseguição. Os homens em questão em uma analise de discurso, seriam os policiais, que comumente eram rotulados de homens da lei. “Eu não gosto de passar vexame” a análise vai além da vestimenta que estava sendo usada no momento da prisão. O vexame é o moral porque ao invés de ser preso um ladrão, está sendo no lugar um homem de bem vestido em uma pijama.

Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer

Nesta passagem chave da canção, Chico Buarque nos traz em uma forma direta e ao mesmo tempo sucinta o drama vivido pelos familiares de pessoas que eram detidas pela polícia nos idos da Ditadura. “Convém, às vezes, você sofrer” mostra que mesmo com toda a desesperança de receber de volta aquele ente querido que não esteja mais presente, o sofrimento mantém a chama do reencontro viva. “Mas depois de um ano eu não vindo, Ponha a roupa de domingo, E pode me esquecer” nesta passagem, Chico explica de uma forma explicita como as famílias ficavam quando seus parentes não voltavam logo. Os sujeitos nesta oração são a dor da espera, a tristeza e a revolta da perda pelo motivo mais fútil possível.

Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)

No complemento a estrofe anterior Chico alerta para os possíveis desdobramentos da perseguição que os “subversivos” e em especial suas famílias poderiam sofrer. Pois a pratica de tortura e de perseguição eram comuns na época. “Não discuta á toa, não reclame” qualquer reclamação ou insistência em dizer o que os policiais do DOPS queriam ouvir, era passível de represálias. “Não esqueça a escova, o sabonete e o violão”  ­­­­nesta frase, Chico além de relembrar do que é minimamente necessário na rotina da detenção, ele lembra do violão. Para que junto com ele continue a mandar essa mensagem de esclarecimento para a população. Desnudando os terrores que eram cometidos.

O Brasil é uma nação que em vários momentos de sua história mostra que o quesito de democracia é relativo. A maneira que são tratados assuntos de relevância é absurdamente não priorizada pelo poder Legislativo e por conseqüência, pela sociedade. Possuímos um Código Penal que não acompanhou a evolução até os nossos dias, e em várias searas ainda não sabemos – leia-se a população – como a descriminalização para a chancela de uso de um entorpecente para uma minoria.

Não respeitamos as reivindicações de muitos, não respeitamos direitos e deveres e nem estamos preparados ainda para tal evolução. Para ser chancelada a união homoafetiva foram necessárias várias intervenções e manifestações. Isso se tratando de uma preferência sexual, que caminha com qualquer direito individual, mas no caso da maconha o direito não é constitucional e nem chega perto disso. O fato é que uma parcela da população quer sair do rótulo de usuário e de criminoso. E as tais “marchas da maconha” são promovidas não por pessoas que queriam modificar um cenário e entrar em um debate democrático. Pois a melhor maneira de consultar uma população é se fazendo plebiscitos, debates, audiências publicas e não passeatas organizadas não pela população, mas sim pelos próprios “beneficiários”.

O avanço da utilização da maconha para fins medicinais é uma realidade, mas esse avanço tecnológico na nossa opinião não deveria ser um contraste na gama de argumentos que os que querem a descriminalização. Pois doença não rima com curtição, inconseqüência e tão pouco falta de ética. Não possuímos um sistema de saúde pública capaz de se preparar para uma gama de problemáticas que este passo traria. Em países cosmopolitas como a Holanda – citação recorrente dos defensores – houve um processo de sistematização de ações públicas que culminaram com a convivência da droga no cotidiano dos cidadãos.

Lá bares e restaurantes oferecem em seus cardápios iguarias feitas com a folha ou as sementes da Cannabis, mas o seu consumo não é tratado como uma afronta a sociedade – como na nossa opinião poderá se constituir um modo de provocação de um consumidor aqui no Brasil, mostrando um cigarro dizendo que agora ele livremente pode “fumar unzinho”. Isso somado a nossa sociedade, cheia de pré-conceitos porque em vários momentos nem sabemos ao certo se é aquilo que queremos, e são essas pessoas, que não possuem um juízo de valores sobre as temáticas, que são os alvos fáceis desta estrutura. Pois é muito mais simples convencer, do que perguntar, indagar, refletir ou simplesmente raciocinar.

Uma das nossas mazelas é a educação. O assunto das drogas não tem uma abordagem padrão, não se orienta o estudante a perguntar, por exemplo, o que a liberação do uso de algo seria bom para mim. Não possuímos enquanto sociedade o costume do “bem indagar”, fomos e somos domesticados com ações que visam o controle e a lobotomização. Amamos o “Pão e Circo” de quatro em quatro anos, que é a Copa do Mundo. Idolatramos o que vem de fora, dentre outras coisas…

O problema não é ser “careta” e nem gostar de curtir o “vapor barato”, acho que a amplitude deste tema não deveria ser restrita a marchas pelo Brasil e nem discurso em causa própria – porque é isso que soa – mas sim, uma reflexão acerca dos rumos que estamos percorrendo. Que educação queremos (nós nem temos um projeto que contemple o esporte nas escolas, então para que este anseio todo em sediar eventos como a Copa e as Olimpíadas?), que modelo de sociedade iremos querer no futuro, esta que está aí? Ou uma que oriente os seus integrantes a fazer parte de um projeto em comum. Se conseguirmos isso, um cigarrinho será um detalhe e não bandeira.

*Artigo feito com a colaboração de Jaqueline Vaz

A obra cinematográfica “Como Uma Onda no Ar” traz no seu bojo uma problemática social e política de uma importância que permanece nas discussões até os dias atuais. A forma de se expressar é primaz no desenvolvimento de uma sociedade que queira respeitar os direitos e deveres do cidadão.

A necessidade dos moradores de se fazer representar por um programa de rádio faz parte até hoje de um conceito de representação. Pois para se aumentar o conceito e a estima, ações como as rádios-comunitárias são ferramentas de propagação do que é feito nas comunidades. A produção cultural de um bairro necessita de uma divulgação porque nem todos os moradores sabem o que é feito.

A luta contra a censura vil e atroz é um ponto chave da mensagem do filme. Naquela época, os direitos constitucionais foram cassados em nome de um movimento (orquestrado pela elite brasileira) que silenciava as vozes “subversivas”. Aliás esse nome não foi citado em nenhuma parte do filme. A palavra subversão. O conceito deturpado desta palavra era o ponto de partida para os absurdos, crimes e a truculência que a polícia realizava. Inclusive retratado em algumas passagens do filme.

A reflexão e a propagação de pensamento deverá ser objeto de estudo e incentivo. Não cabendo em nenhuma hipótese o retorno das “trevas”.

Analise da Imagem

O que uma imagem me traz? É uma mensagem que por virtude da semelhança parece naturalmente legível? Ou quando nos usamos o subconsciente contestamos a imediata associação? A associação de uma imagem a sua representação universal, se dá pelo fato que desde os primórdios a humanidade, se faz representar por figurações que achamos que reconheceríamos independentemente da situação histórico-contextual. Invariavelmente a confusão acontece quando estabelecemos um achismo da leitura das imagens que em certos conceitos achamos ser universal.

A leitura das imagens levando em conta o processo cognitivo, acompanha a nossa evolução oral, pois algumas imagens são facilmente associadas a palavras e sons. A imagem é uma produção do consciente ou inconsciente do sujeito, isso é fato. O que não cabe é uma proibição do processo interpretativo daquela imagem, pois a leitura daquela imagem ou obra se perpetuará. O que se deve é tentar uma compreensão do que uma analise de uma imagem possa trazer de significações.

Para se obter um satisfatório processo de interpretação e analise de uma imagem, se deve aos seus objetivos. Quando definimos o objetivo, definimos também qual serão as ferramentas, que determinam parte considerável do objeto e suas conclusões. Levando em conta o processo de associação mental que ajuda a distinção de diversos elementos, e a interpretação, exige um pouco de imaginação, para que em um primeiro momento ajude a um melhor entendimento.

A imagem deve ser analisada também pelo seu contexto de surgimento. Vários dos logotipos que virariam referencias mundiais, foram criados em atmosferas de afirmação, domínio e inovação. Marcas como: Coca-Cola, MacDonald’s e Apple, serão de uma propagação que perdurará por décadas, por causa da inventividade e do reforço de associação entre nome-produtos. Essas imagens, dependendo do interpretante, podem trazer euforia, emoção ou repulsa. Levando-se em conta qual o perfil do consumidor. Em se tratando de uma comunidade globalizada, um instrumento de comunicação entre as pessoas.

Imagens, figuras, logomarcas e obras de arte, todas são passiveis de variáveis de interpretações. O ser – humano com toda sua carga de significações é quem será incumbido de perpetuar uma representação e assim começar um novo ciclo de geração de imagens.

Aurora da Rua

Amigos do Blogão e meus amores,

Hoje na minha aula do curso de Jornalismo, com a professora Leila Tourinho,  tive contato com uma coisa tão boa, que vale a pena dizer que ainda existem pessoas que acreditam onde e em pessoas que ninguém acreditaria. Que uma colega de profissão, uma jornalista, faz do ofício a arte de transformar e de revelar que as pessoas  marginalizadas pela sociedade, possuem voz. E além de uma voz, que embora algumas vezes rouca de tanto gritar para se fazer ouvir, estas mesmas possuem dignidade e capacidade para brilhar. Basta uma iniciativa e um gesto. E sabe qual seria este gesto? O de permitir que aquele botão de rosa possa florescer mesmo nas condições mais adversas.

Escrevo este post porque me senti na obrigação de retribuir os momentos de aprendizado e de troca. Pois quando somos expostos a relatos tão vívidos e construtivos, a obrigação está de braços dados ao maior sentimento que podemos ter. O da gratidão. Amei a experiência. Quero beber nesta fonte, quero aprender, e passar um pouco de mim para esta comunidade. Que laços sejam estreitados para uma viagem que tenho certeza, não voltarei o mesmo munca.

Obrigado Viviane, e aos outros amigos do “Aurora da Rua” , Vandick e Vânio. Espero que este primeiro contato sirva para muitos outros.

“Sem o bom, o mundo fica mais cinza” – Provérbio Chinês

Aprendi hoje que o bom está em um jornal, em cada palavra, em cada história que é contada naquelas matérias.

Ótima quarta à todos !!!!

Ficou curioso: www.auroradarua.org.br

Quer assinar o jornal? Para as pessoas que não residem em Salvador podem acessar o site e saber como. Posso adiantar, o aprendizado será de uma importância e de um crescimento……..

São Marcos

Amigos do Blogão,

Ontem lendo uma reportagem que retrata a atual situação do goleiro campeão mundial e do Palmeiras, pude perceber que quando não podemos mais ir de encontro às nossas limitações físicas, a tristeza é imensa. O que acontece com o Marcão, é de pesar. Todos os que amam a dedicação ao exercício da profissão, devem citar Marcos como exemplo. Daqueles que não vemos assim facilmente. Sou fã dele! Acho ele o maior goleiro do Brasil na contemporaneidade. Não tem igual. Uma pessoa franca, que não atribuia a culpa dos gols sofridos aos companheiros, sofria calado em diversas vezes, e quando falava – com uma franqueza assustadora em se tratando de futebol brasileiro – nos tocava. Não pelas lágrimas que escorreram do seu rosto (foram muitas as vezes), mas sim por um adjetivo que para muitos está esquecido. O da sinceridade.

Sinceridade esta que faz com que ele, o nosso São Marcos, cogite abandonar os gramados e pendurar as luvas. Mas como se aposentar se você ainda pode render e contribuir para o time? Só uma pessoa com o compromisso com a lealdade com seus colegas poderia fazer. Nunca vi ninguém dizer que o Marcão é chinelinho. E nem sei se terá a audácia de o fazer. Comparo Marcão ao meu maior ídolo no esporte que é o Zico. Eles tem muitas coisas em comum. Sempre com a superação rondando as tragetórias e como também a idolatria das suas respectivas torcidas.

Fico triste em saber que essa tragetória tão linda está perto do fim. Que ficarei sem as entrevistas dotadas de uma sinceridade que nunca vi igual. Com o Marcão não há máscara, não há subterfúgio, há a tradicional verdade. Ou melhor, há sempre o esclarecimento. Pois o torcedor não é idiota e nem alienado (embora alguns se encaixem nesse perfil). Estas iniciativas sempre louvo e sempre irei aplaudir. No mundo que vivemos, a decência e a delicadeza do esclarecer, está em falta.

Não é o primeiro post que escrevo no nosso Blog em homenagem ao Marcão e nem será o último. Pois além de admirar o atleta e o homem fora de campo, eu me identifico muito com os jogadores que não fazem das assinaturas de contratos uma promiscuidade.  E tenha certeza de quem  faz desta máxima regra de conduta, só terá um destino, o da imortalidade. Daqueles que amam o esporte.

Parabéns Marcão, se por acaso você se retirar dos campos….. Imensamente OBRIGADO !!!

Ótima quarta à todos !!!!

 

p.s- escrevo este post em um momento que o nosso planeta não está nada bem. A catástrofe no Japão e os assassinatos na Líbia me deixam muito triste. Tenho que me apegar aos bons fluidos para transmitir aos meus irmãos japoneses e libios. Isso sem falar nos brasileiros que começam a perder as suas casas em decorrência da chuva. Força à todos !!!

Aqui mando eu !

Em dias de guerra iminente na Líbia, quando uma pessoa levanta a voz para dizer que naquele espaço é ela que manda,  guardadas as suas devidas proporções, me lembro muito de meu avô João. O velho era daqueles que, por não ter o seu capricho ou direito respeitado, berrava a plenos pulmões: Aqui mando eu!

Sentia-me uma daquelas minorias étnicas que, por força da opressão, me colocava no meu lugar. Ficava com cara de ódio e queria ir pro pau. Mas em se tratando de uma autoridade, e meu avô era uma delas, colocava o meu rabinho entre as pernas e ia ganir em outra freguesia.

Meu avô é um homem fantástico, porque para mim ele não morreu. Continua a me acompanhar como se fosse uma das muitas histórias que ele me contava. Emocionantes e cativantes assim como ele: Inesquecíveis. Sinto orgulho, bato no peito, quando falo do meu avô. Longe de ser um Kadhafi, mas por ter sido delegado a sua vida toda, ele sabia como colocar a ordem no pais, que ele chamava de seu. A nossa família.

Vejo as notícias pela televisão e leio-as pelos jornais e vejo todo o imbróglio que ocorre na Líbia. Lá a oposição toma tiro e é silenciada. No máximo o que acontecia comigo eram boas chineladas. Depois de muitas risadas e muitos momentos chorosos, só me lembro de uma coisa. Aquele senhor na minha frente, impassivo e altivo, berrando em voz alta pela casa toda: Aqui……

Carnaval Antecipado

No próximo domingo, quando a bola rolar para a final da Taça Guanabara entre Flamengo e Boavista, um velho filme rodará na minha cabeça. Quando tem final, vários rituais são obrigatoriamente respeitados, lembro-me de quando morava em Ilhéus, em dias de jogos decisivos do Flamengo, tinha que passar na casa de minha avó Belza. Almoçar e depois receber o cafuné dela era uma forma de me energizar com tudo de positivo que pudesse existir.

Depois de “filar” o maravilhoso rango da vovó, eu rumava para casa. Para começar o famoso, e por mim denominado, “ritual do sofrimento”, pois desde aqueles tempos até hoje, em dia de jogo fico em uma tensão que só. Em dias de jogos do Flamengo, meu coração fica envolto com o “ser” rubro-negro. Sofrer faz parrrrrte (como diria um ex-participante de um reality show) – e em decisões todas as sensações que posso ter indo da angústia ao sofrimento – são terrivelmente antecipadas..

Quando tudo dá certo e sou brindado com a conquista, me visto com o “manto-sagrado” e me sinto a pessoa mais poderosa do mundo. Eu e os milhões de torcedores do Mengão espalhados pelo mundo. Aí, meus amigos, que o Carnaval começa. Um festival de sentimentos e celebração.

Sinto-me um mestre de bateria, seguindo o compasso das minhas batidas do coração. Que por um instante pulsa como a melhor das baterias das escolas de samba. Sabe o que é isso? E o sinal de que a minha folia era antecipada.

E os outros, por não ser Flamengo, teriam que esperar mais alguns dias.

Eternamente Fenômeno

Depois de uma carreira brilhante, marcada por feitos dentro e fora do campo, Ronaldo Luis Nazário de Lima, o Fenômeno, pendura as chuteiras em um momento não muito produtivo. A derrota para o Tolima, na Libertadores, não foi um final de carreira esquecível.

Indo de encontro a sua sensacional carreira, que será por muitos lembrada, as sucessivas voltas por cima, depois de lesões das mais graves, fazem de Ronaldo um Fenômeno – não só nos campos, mas, sim, dando prontas respostas às traumáticas lesões, que abreviaram, e muito, a sua carreira.

As passagens por Inter de Milão e Milan, ambos da Itália, foram marcantes, mas pouco produtivas, pois foram nestes clubes que Ronaldo teve as suas duas duras contusões no joelho. Pouquíssimos jogadores puderam atuar em clubes rivais e serem adorados por ambos. Barcelona, Real Madrid, Inter de Milão e Milan. Só um extraclasse para conquistar a todos, fato que marcou a carreira do ídolo. Independentemente de preferência clubística.

Ronaldo é um daqueles jogadores que o tempo não consegue apagar. Sempre terá uma pessoa que lembre os seus feitos de uma forma jocosa e com um ar saudosista. O porquê disso? E que, esportistas como Ronaldo, ficam eternamente em nossa memória.

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