Em dias de guerra iminente na Líbia, quando uma pessoa levanta a voz para dizer que naquele espaço é ela que manda, guardadas as suas devidas proporções, me lembro muito de meu avô João. O velho era daqueles que, por não ter o seu capricho ou direito respeitado, berrava a plenos pulmões: Aqui mando eu!
Sentia-me uma daquelas minorias étnicas que, por força da opressão, me colocava no meu lugar. Ficava com cara de ódio e queria ir pro pau. Mas em se tratando de uma autoridade, e meu avô era uma delas, colocava o meu rabinho entre as pernas e ia ganir em outra freguesia.
Meu avô é um homem fantástico, porque para mim ele não morreu. Continua a me acompanhar como se fosse uma das muitas histórias que ele me contava. Emocionantes e cativantes assim como ele: Inesquecíveis. Sinto orgulho, bato no peito, quando falo do meu avô. Longe de ser um Kadhafi, mas por ter sido delegado a sua vida toda, ele sabia como colocar a ordem no pais, que ele chamava de seu. A nossa família.
Vejo as notícias pela televisão e leio-as pelos jornais e vejo todo o imbróglio que ocorre na Líbia. Lá a oposição toma tiro e é silenciada. No máximo o que acontecia comigo eram boas chineladas. Depois de muitas risadas e muitos momentos chorosos, só me lembro de uma coisa. Aquele senhor na minha frente, impassivo e altivo, berrando em voz alta pela casa toda: Aqui……
Nesta analogia entre a autoridade Líbia e a postura do seu avô, fico com ele. Tenho quase certeza que em meio a qualquer atitude mais enérgica o amor dele por você, jamais iria lhe ferir. Por outro lado, os minoritários da Líbia de modo algum contaram com sentimento tão nobre por parte dos opressores.
Abs.
Leto.