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Posts Tagged ‘Jornalismo’


Quando percorro cada item do Código de Ética dos Jornalistas, percebo que além de ser um manual de conduta profissional, o código tem uma forte carga de civilidade e com ela, vem a reboque as questões éticas e morais. Estas questões que no exercício da profissão fazem verdadeiramente a diferença. Pois no informar, esbarramos em paradigmas que determinarão o “bem” informar.

Dentre os artigos do código pré-selecionados, irei escolher dois para a minha análise. No artigo 1º, que em muitos códigos trata da essência e o propósito.

Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange o direito de informar, de ser informado e de ter acesso a informação.

Ora, se temos o direito assegurado a informação e de ter acesso, porque em várias situações da história recente deste país as notícias foram peneiradas e somente divulgadas com um verdadeiro interesse parcial. O caso da revista Veja na época do governo FHC, não noticiou todo o processo de venda das principais “jóias” do patrimônio público. Pior, só veiculou na revista apenas noticias para cumprir tabela.

E não iguais as matérias melhor apuradas que vemos hoje. Mostrando que a revista pecou com a sua diretriz mor, que é o dever do informar. Não levando em consideração interesses públicos, e o pior, fazendo isso de uma forma dolosa e intencional. Que uma década depois, mostrou ser a política partidária da revista. Pois na era PT, o governo não contou com este “privilégio” doloso ao cidadão que quer realmente saber o que acontece. Tem pessoas que nem sabe que um dia existiram a Vale do Rio Doce ou a Light. Empresas loteadas pela administração FHC em nosso país.

É lamentável constatar que em se tratando de informação, ela tem rosto, vontade própria e intenção. Que no caso da Veja nos idos do governo de FHC não foi nem a sombra da ferocidade do que demonstra hoje. Assoprou ontem e morde carnivoramente hoje. Assim revelando que revista manipula, esconde e escamoteia as informações. Infringindo assim claramente o artigo 1º do Código de Ética.

Art. 6º É dever do jornalista:

VIII – Respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão.

Uma revista tem o dever de explorar o lado artístico de cada artista não como pessoa pública, mas sim, como um avaliador de sua performance na T.V ou no Teatro e não expor a vida das pessoas de uma forma que invada o espaço que lhes é constitucionalmente garantido. Revista de “fofoca” virou hoje mais catálogo de açougue.

Vejo atrizes em trajes sumários, mostrando em várias situações suas partes pudicas. Jovens estrelas drogadas, como o exemplo a estadunidense Lindsay Lohan. Isso me arremete a uma ponderação. Este não seria um motivo para que as revistas se afastassem? Pois não se trata de nenhuma estréia da atriz ou alguma foto de passarela. Mas sim de um momento particular. Veiculando estas imagens de degradação humana, as revistas Contigo e afins não preservam a intimidade, a imagem e a honra do cidadão. E não só as brasileiras. Incluo também a mórbida comercialização de notícias internacionais que não trazem em seu contexto a preservação de direitos e individualidades.

Uma verdadeira caça as bruxas, ou aos bruxos. Não esqueço do ocorrido quando o ator brasileiro Fábio Assunção começou a faltar as gravações da novela a qual ele fazia parte do elenco. As revistas de fofocas e as especializadas em novelas, começaram a especular os mais diversos e escabrosos motivos para o sumiço das gravações de Assunção. Depois que foi constatado que o ator sofria de dependência química associada ao consumo de cocaína, começou uma desconstrução total do cidadão e pagador de impostos. Atiraram na lama do sensacionalismo, a carreira de um ator bem sucedido.

Existem vários casos. Um revela que o acidente que vitimou a Princesa Diana, foi fruto de uma perseguição cometida por um paparazzi ao carro que ela estava. Tudo isso, para obter uma foto da princesa com seu novo affair o milionário saudita Dodi Al-Fayed. Por um desvio de conduta de um profissional, uma vida foi ceifada. Não se respeitou a mulher, a princesa e nem a cidadã. Queriam o circo. Que o verdadeiro palhaço foi o ignóbil fotografo.

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Ao assistir o filme O Custo da Coragem (2003), várias sensações e questionamentos rondaram a minha cabeça. O filme é extremamente denso, não só falando de jornalismo, mas também do direcionamento de uma investigação jornalística e seus desdobramentos. Um filme que gera muitas discussões sobre o que seria ético ou não.

Apurar fatos é dever de um jornalismo que seja na sua essência informativo e não meramente ilustrativo. E no caso da investigação que a jornalista irlandesa Verônica Guerin, que era de relevância nacional, a investigação deveria ser profunda e articulada. E o filme revela que, a investigação realmente aconteceu.

Código de Ética, preceitos morais e afins, sempre deverão nortear a conduta de cada profissional no seu campo de atuação. Mas em se tratando de um país que a força policial está silenciada pela corrupção e assim fechando os olhos, com um grave problema social sendo discutido em uma reportagem e não como deveria ser, em fóruns criminais ou em audiências públicas, tenho minhas ressalvas da completa realização da matéria, se a jornalista tivesse usado a ética no processo.

O que seria ético? Deixar a polícia investigar? Fazer uma reportagem para cumprir tabela? Ou realmente ver o todo? E este todo sendo a sociedade de um país, com suas crianças e adolescentes expostos ao mundo das drogas. Ninguém é ético o tempo todo e nunca será em se tratando de investigação jornalística. E eu agiria da mesma forma que ela agiu. Pois com o submundo das drogas, que já sabemos de antemão que não possue regras honestas e limpas. Temos que ser realistas e não idealistas em alguns casos. Não se faria a modificação tão profunda como a que Guerin na sua reportagem, traria para a sociedade irlandesa, se ela tivesse usado o Código de Ética debaixo do braço.

Se na Irlanda, a fiscalização houvesse de fato, a cargo da polícia e o Poder Judiciário, o papel da imprensa seria o de ilustrar o cenário com as informações disponíveis acerca do fato. Mas se vemos que a corrupção impera, e esta na minha opinião, é que realmente se constitui no verdadeiro crime. Pois para que o sistema interviesse de fato, o que teve que acontecer além da pressão pública fora o assassinato da jornalista.

Polêmicas a parte, o papel do jornalista deve ser, na minha opinião, o de relatar os fatos e também o de investigar. Nenhuma investigação profunda que lide com temas de extremo risco são incólumes. Seja ela jornalística, policial, administrativa, etc..

Temos a exata noção do que é ser ético ou antiético. Temos a exata noção de que um bom jornalista deve ter um compromisso com a informação. E no bojo da informação, existe a sociedade. E ela deve ser sempre a maior privilegiada em todas as matérias, declarações…

Investigar para um jornalista que ame a apuração dos fatos é a mesma coisa que é orientar os estudantes na sala de aula, uma cachaça. Quando começamos um ciclo, queremos ir até o fim. Não a condeno por ter se arriscado ou por ter colocado a família em risco (quando as coisas ficaram difíceis, o marido e o filho dela se esconderam), pois quando pegamos a ponta de um novelo, queremos desenrolá-lo até o fim.

Para os que ainda discutem a forma com que ela lidou com as fontes na apuração dos fatos, vale à pena salientar que foi uma fonte dela, que ligou para o mandante do seu assassinato, dizendo onde ela estaria, dando o sinal verde para a sua execução.

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Desde a comunicação via folhas soltas até a comunicação de massa dos dias atuais. Retrata também todo um desenvolvimento da arte democrática do se fazer ouvir, seja por jornais ou por publicações subversivas. Este processo fora de fundamental importância para a consolidação de uma voz inquieta e questionadora, sem ela, vários dos avanços que gozamos hoje como sociedade, não seriam conquistados.

A evolução da arte comunicativa sempre acompanhou o desenvolvimento das sociedades. Nos primórdios, só se comunicava oralmente. Por isso, vários dos grandes pensadores eram de uma eloqüência invejável. O surgimento da Imprensa viria para quebrar a tradição oral. As palavras agora tinham corpo e estavam documentadas para a história. Claro que em todo processo de se fazer representar sempre terá as suas dificuldades e a unificação das línguas vulgares fora um primaz desafio para a tarefa de abrangência da imprensa. Neste processo de unificação lingüística muitos dos dialetos foram engolidos em nome de uma comunicação consolidada.

E com a consolidação das línguas vulgares, a comunicação sob a efígie da Imprensa, se tornaria um instrumento de persuasão único e eficaz. Fato que até hoje é notado. Com a comunicação em alta e com a necessidade da democratização de qualquer fonte de informação, vários movimentos foram nascendo de insatisfações. A Reforma veio com a necessidade de acesso a informações que até então só diziam respeito à Igreja e aos mais abastados. Democratizando-se assim a religião.

A Propaganda também surgiu como aliada da Imprensa. Mas como infelizmente a propaganda era trabalhada por seres humanos, teríamos a dualidade do bom e do mal propósito. Os feitos dos governantes eram difundidos com precisão e uma supervalorização absurdas. Com este estratagema, a manutenção de poder era consideravelmente agraciado.

No decorrer dos séculos começou-se a notar uma maior fluidez e rapidez nas idéias, como também a cultura se libertaria da tutela impositiva e criminosa da Igreja. A expressão começaria a gozar de certa liberdade, especialmente na Grã-Bretanha. A Imprensa começaria assim relatar fatos notáveis, exemplo disto fora à independência americana. Vários daqueles propagandistas se tornariam ícones históricos e até hoje de uma atemporaneidade de filosofias invejável.

As implementações e como também os avanços não seriam notados só na Europa e nem no que viria a ser os Estados Unidos da América. Os centros políticos das colônias espanholas, México e Lima, por exemplo, foram pioneiros no surgimento do jornalismo. O Jornalismo Colonial obteve nas folhas volantes a sua forma de representação em um primeiro momento. Depois se sucederam os informativos, noticiários e com o advento das Gazetas, a distribuição mais evoluída foi atingida.

Como qualquer forma de pensamento seja ele coletivo, orquestrado ou impositivo, a imprensa, a propaganda sempre andaram de braços dados com a oposição ideológica e com as divergências. Os grupos culturais denominados de “sociedade de amigos” vieram com as suas inquietações, trazer a vigilância e a critica ao que estava sendo feito. Fato que além de ser salutar, ajuda ao exercício constante do “ser” democrático.

A livre expressão das idéias é direito fundamental do ser. Cabendo assim, um propósito benéfico para a sociedade. O que vejo hoje é a alienação, corrupção, escamoteação, e a imposição de uma realidade perversa para a esmagadora parcela da sociedade. Vivemos nas propagandas o paraíso, somos levados a outra dimensão. O engraçado da história, se isso poderá ser chamado de engraçado, é que não nos damos conta do INFERNO no qual vivemos.

“Don’t ask what your country can do for you, but what can you do for your country” – John Fitzgerald Kennedy

Reformulando esta frase simbólica e atemporal: “Nunca pergunte o que a comunicação e a propaganda poderá fazer por você, mas sim o que você jornalista e você propagandista poderá fazer pela comunicação”.

Um exercício do bem informar…

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Mestre Armando Nogueira

Amigos,

Hoje vítima de uma câncer atroz e vil, morre o mestre Armando Nogueira. Homem dotado da arte de noticiar e ser ouvido. Jornalista de uma estirpe que não se faz mais. Um homem que sempre fora acima do seu tempo, eternamente atemporal. Hoje, junta-se a pessoas como João Saldanha e Nelson Rodrigues. Homens que assim como ele são imortais. Eu, como acadêmico de Jornalismo não poderia deixar de prestar esta homenagem a um homem que fez do bem informar o seu legado, a sua marca.

Saudades…

Boa segunda à todos !!!

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Amigos do Blogão e meus amores

Mudei de curso. Passei de Pedagogia para Jornalismo, tenho certeza que não errei na minha escolha. Mas este embate sobre a não exigência do diploma para jornalistas reflete em meu horizonte. Algumas pessoas estão me dizendo para tentar outra carreira e abandonar a que escolhi, confesso que esta situação está me deixando chateado. O fato de que atualmente o diploma não ser exigido é pura manobra  “intelectualoide” alegando que era imposição do regime militar. Uma pergunta paira no ar. Porque em uma sociedade tão carente de paradigmas e ética, valores como a capacitação e a formação são postas em segundo plano ??

A sacanagem disso tudo é que a proposta infame da não obrigatoriedade veio das T.V’s que, em seus quadros possuem vários destes “intelectualoides” que se aproveitaram desta infâmia para gozar de privilégios que eram exclusivos dos graduados. Em terra que todo mundo de acha doutor isso seria só mais um detalhe. Portar a carteirinha de jornalista é além de tudo um compromisso com a informação, ética, sociedade e com nossa consciência. Não dá para se passar por, temos que respirar e beber na fonte. Não dá para aceitar a irresponsabilidade nos dias atuais.

Uma formação assim como uma graduação deveriam ser o norte de qualquer cidadão. Infelizmente em meu país as manobras para agradar a minoria são de uma frequência absurda. A quem interessa receber o rótulo de jornalista?? Ratificar a mediocridade não é o caminho. Que isto não soe como preconceito.

O que penso é que todo profissional deveria ser aproveitado dependendo de sua competência ou não.

Sugiro a criação da Licenciatura para Jornalismo. Para os colaboradores de jornal e T.V que já exerçam a profissão por mais de 25 anos, com comprovação. Quer ser jornalista e não quer a graduação, pois bem, receberá uma licença para tal atividade e não um “diploma branco” por canetada  de tribunal que dificilmente nos olha com a cegueira social.

A formação de um jornalista passa por uma revisão de valores e a noção da importância desta profissão para a sociedade brasileira e mundial. O que prego não é a poda do talento. Mas sim, que a exigência seja a conduta de contratação. Se sou talentoso, porque não me aprofundar ?? Mas a política do “Tá bom assim” é terrível. As pessoas se acomodam e não fazem juízo de valores. Querer ser eu quero, então porque não estudar para ser ??

A educação e a comunicação estão na mesma trilha e com ela deveriam nortear um caminho que levasse ao exercício pleno da valorização educacional e não rasgar o investimento, sonhos, esperanças e gana de saber dos acadêmicos de Jornalismo pelo Brasil afora. Um país sempre será reconhecido pela educação do seu povo e como também a valorização de cada profissional que dá duro por um ideal de veracidade no que faz.

Escrever bons textos ou saber usar as novas tecnologias não são suficientes para a formação jornalistica do ser.

A nossa sociedade já conseguiu desvalorizar a profissão de professor e está com esta lei infame abrindo a possibilidade de fazer o mesmo com a de jornalista. Qual será a próxima ?? A nossa classe deveria ser mais homogênea e não repartida pois só assim se farão ouvir de uma forma uníssona. Acabando assim com o coro dos “jornalistas” que agora deitam em cima da dedicação e do investimento alheio.

O Sr. Gilmar Mendes na minha opinião é o maior erro da história do Judiciário. Lá no STF tem até ministro sem pré-requisitos para estar lá. Se existe ministro que julga o mérito de uma causa com esta mesma prerrogativa (a de não precisar de critérios para o desempenho das funções)  que outrora o beneficiara, porque não reproduzir e estender aos que a procuram.

Cadê o “notável saber jurídico” ?? Fica a reflexão. 

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